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Pelo 10º ano consecutivo, professora de MS acerta tema do Enem

22/01/2021

O título, agora, é decacampeã: a professora de produção textual Raquel Siufi, 43 anos, comemorou nas redes sociais o feito de ter acertado, pelo 10º ano consecutivo, o tema da redação do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), que enfocou o estigma associado às doenças mentais na sociedade.

“Décimo ano consecutivo acertando o tema do Enem, é deca!!!!”. O vídeo foi postado nas redes sociais pouco depois do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) divulgar o tema da redação, uma das fases mais temidas pelos candidatos do exame.

 

“Achei pertinente e necessário discutir o tema”, disse Raquel Siufi. Ela conta a saúde mental já havia sido abordada durante as aulas, em 2019, mas que ganhou enfoque especial por conta da pandemia, em que as doenças mentais se agravaram. Também citou um fato sensível, o suicídio de ex-aluna que sofria de depressão.

Raquel diz que os professores ficaram próximos dos alunos e se preocuparam em abordar o tema, até como forma de atenção à saúde deles. “Nossa maior dificuldade foi a motivação, tivemos casos de depressão, alunos que estavam no 3º ano, se preparando e veio a pandemia”.

A abordagem englobou problema de saúde pública e o preconceito que as pessoas sofrem. “Já se foi o tempo que alguém achava que depressão era frescura; é doença, tem tratamento disponibilizado pelo SUS”, explica a professora.

 
Raquel conta que foram 142 slides e cerca de mil temas abordados durante o ano, mas que havia a preocupação de se fazer o chamado “recorte temático”, em que é preciso delimitar assunto que tende a ser mais abrangente. O poder de síntese e coesão das ideias é colocado à prova e pode ser o diferencial entre nota eficaz na redação.

Além da saúde mental, em que foram abordados várias temas, como depressão, síndrome de Burnout, pânico e outras, a professora também abordou outros assuntos que sempre estão em evidência e ganharam destaque durante o ano, como o racismo (Black Lives Matter), violência doméstica, alfabetismo e analfabetismo digital, home office e, claro, a covid-19.

“Sempre procuro sair um pouco do óbvio, porque o que cai não é sempre o óbvio”, ensina. Raquel diz que já começou a receber ligações de alunos e os pais, agradecendo por ter tratado do tema.